terça-feira, 24 de janeiro de 2012

GO/NOGO

Depois de um interregno longo devido a paternidade, pergunto-vos, vale a pena continuar os relatos em Estocolmo? Espero pelo Vosso GO/NOGO...

domingo, 28 de março de 2010

... há empregos do Kaneko!

Uma particularidade do Japão é o número absurdo de pessoas necessárias para fazer o trabalho de um. Podíamos dizer que em Portugal é a mesma coisa, um gajo cava, os outros fiscalizam e opinam.Aqui é diferente, fazem todos o mesmo. É como ter dez mãos a atarrachar uma lâmpada, cinquenta dedos cuidadosamente colocados na superfície de vidro para confirmar que não há enganos ou sobressaltos, tudo pelo seguro.
O rapazinho desta fotografia esteve mais de uma semana, o dia inteiro, a guardar uma pertança falha de segurança na estação de Shin-Yokohama do Shinkansen, o famoso "comboio bala". Ao que parece a porta de segurança avariou. Em vez de colocarem um letreiro, colocaram uma pessoa. Há tantas... mas é o mesmo em todo o lado. Nas obras de rua, dá ideia que são mais os tipos a sinalizar a obra, a dizer para os transeuntes se desviarem do burado, devidamente sinalizado e vedado, que propriamente os que estão a trabalhar na dita obra.
E o que dizer da fila de "desentaladores" da estação de Nakameguro? Quando há uma pessoa presa em mais que uma porta, cada um corre para o seu e resolvem a coisa em menos de cinco segundos, sabem perfeitamente o que fazer e da forma mais eficiente. Se fosse em Portugal havia só um, gordo, de bigode, com a farda demasiado pequena para o seu porte, que se alguém ficasse preso na porta do comboio, avançaria devagarinho com o cigarro no canto da boca e rebentava a porta e a pessoa entalada com um pé de cabra. Se houvesse mais do que um, "calma, este menino dá para todos... qual é a pressa, querem ir trabalhar?" Com tanta redundância, é claro que há malta que aproveita para não fazer nada. É o caso do meu colega Kaneko, o gajo aparece nas reuniões e dorme que nem um leão, parece que está sempre com os copos... também com um nome destes... mas no Japão há empregos do Kaneko!

domingo, 7 de março de 2010

ERRO

Normalmente não pensamos duas vezes em fazer aquilo que nos dá mais prazer, muito raras são as vezes em que pensamos em possíveis efeitos secundários. Depois sim, vêm os ditos efeitos e desejamos ter sido menos impulsivos, ter pelo menos pensado nas consequências das nossas acções. O misto de prazer e culpa depois de comer uma tablete de Toblerone de 500 gramas é um exemplo, mas há mais; sair à noite e beber uns copos como se não houvesse amanhã e não pensar na ressaca do dia(s) seguinte(s), marcar umas férias de sonho na Índia sem pensar nos "desarranjos" intestinais durante as mesmas, convidar uma dezena de machos virís para ver a bola em nossa casa sem pensar que a esposa ou namorada nos vai enfernizar durante uma(s) década(s)... ou fazer a inscrição na maratona de Tóquio sem pensar no sofrimento atroz que vamos sentir durante e depois da prova. Esta, eu pensava que não caía, mas caí. "Eh pá, bora aí inscrever na maratona"... "OK"... ERRO!!!Basta pensar um bocadinho para nos apercebermos que a maratona não é uma coisa para meninos. Reza a lenda que o primeiro maratonista, o mensageiro Grego Pheidippides, que deu origem à prova ao correr os 42,195km até Atenas para dar a notícia que os Gregos tinha ganho a batalha de Maratona, acabou por morrer momentos depois de terminar a distância. Obviamente que isto não deixa antever nada de bom. Onde é que se perdeu esta informação de extrema relevância? Outro facto com o qual me deparei ao começar a procurar informação sobre treino para a maratona foi o sem número de advertências do género: "Se vai passar por mudanças intensas na sua vida, por exemplo, mudança de casa, de emprego, casar, ter um bebé, adie os planos da matartona por um ano.". ERRO!!!
Bom, O mal estava feito, só me competia concretizar aquilo a que me tinha proposto, acabar os 42km, o tempo era o que menos interessava. Dois meses de treino semi-intenso revelaram-se insuficientes. A prova começou com chuva intensa, mas mais intenso foi o frio. Até nevou! Ora, para um bom menino da cidade, treinos na rua só com bom tempo. "Lamentamos imenso", disseram os senhores da organização, "hoje neva!". O maranhal de gente era tão grande, 31.999 loucos como eu, que demorámos dez minutos para passar pela linha de partida. Quando a passámos pensei, podia acabar já agora... mas não. Posso apenas gabar-me dos primeiros 30km, que consegui terminar em menos de três horas, já o vencedor estava com o banho tomado e com o ar das grandes ocasiões. Demorei um pouco menos de duas horas para terminar os restantes 12km, paguei o preço dos incautos. Que raios leva um tipo a rebentar-se todo só para acabar uma maratona? Qual é o objectivo? "Fazes 42km? Grande coisa, a minha avó faz 43km! Nha, nha, nha, nha..." Este tipo de coisas passava-me pela cabeça quando o corpo já dizia: "Masss que disssparaaateee...", à moda do Manuel Maria Carrilho.
Uma coisa é certa, depois de penar a bom penar, acabei a minha primeira maratona, e ainda não percebi como é que já estou "louco" para fazer menos de quatro horas para o ano que vem... muito provavelmente outro grande ERRO!!!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Johnny Bravo'zinho"

É altura de apresentar mais um "amigo" meu do metro, o "Johnny Bravo'zinho". O personagem original faz parte da nossa imaginação de criança, pelo menos da geração Dartacão. Os Japoneses são em geral pouco efusivos no que toca à expressão corporal, são expressivos, mas comedidos. Não necessitam do mesmo espaço para se expressar que os Italianos, e são bastante menos barulhentos que os Espanhóis. Bem sei que os anteriores são os extremos nas duas classes, mas os Japoneses estão muito abaixo em qualquer uma das escalas anteriores. Há no entanto sempre a excepção, aquela que confirma a regra. O "Johnny Bravo'zinho" é um tipo que não consegue, mas não consegue mesmo, parar quieto. Tem uma particularidade interessante; ainda consegue ouvir em reposo, mas é-lhe completamente impossível falar sem um sem número de tiques, alguns a roçar o embaraçoso. Só visto...

No final do video do "Johnny" ainda aparece uma mocinha de corninhos, tudo perfeitamente normal por estas bandas, isto parece um cartoon da vida real. Uma tipa pode passear na rua orgulhosamente com o seu par de cornos, que toda a gente diz "Sim senhor, é um belo par...", e seguem a sua vida. Voltanto ao nosso personagem original, as semelhanças com o verdadeiro "Johnny Bravo'zinho" são incontornáveis, os movimentos rápidos e irreflectidos, os gestos largos e abundantes, a expressão exagerada e cheia de pruridos.

Ok, este tem menos músculos, mas se os Japoneses fossem maiores não podiam ser acondicionados no metro, elevadores e em todos os lugares de dimensões diminutas que abundam neste país. Se os Japoneses fossem todos assim, imagino as sessões de pancadaria nos comboios na hora de ponta... devia parecer a aldeia dos macacos do Jardim Zoológico, "Uuhh mama, do the monkey!"... em Japonês, claro!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

De pequenino é que se torce o pepino

Quando somos novos estamos longe de pensar que um dia, quando menos esperamos, na flor da crise de meia-idade, começamos a desejar ardentemente ter um Porsche e trocar a esposa por uma moça vistosa de vinte anos, cujo prazer sórdido e secreto é amantizar-se com um Moçambicano num qualquer hotel de quatro estrelas pago com o nosso dinheiro. É preciso dizer bem cedo que o Hotel Cápsula não aceita hóspedes que venham só para a pouca-vergonha... ok, até aceita, mas fica bem dizer que não!
Pelas razões apontadas anteriormente, torna-se importante incutir numa criança recém-nascida alguns valores que o ajudem a superar algo que é inevitável, a parvoíce da meia-idade. Iniciei esta semana com o meu rebento de cinco semanas dois workshops importantes para o seu desenvolvimento e integração na sociedade: "Porsche - Sim, mas na idade certa" e "Piropos - Iniciação à selvajaria". Estes dois tópicos são preferíveis a outros items, também importantes, mas menos relevantes: "Arrotos - Como soar um homem desde cedo" ou "Cólicas - Como usá-las em seu proveito". Em parte porque já provou, mesmo na tenra idade, saber usar apropriadamente arrotos e cólicas, aplicando no último caso técnicas de jacto quando os progenitores lhe trocam a fralda, obtendo um KO técnico logo ao soar o gongo. Está pronto para os confrontos da vida... os mais sujos e desonestos pelo menos!O primeiro módulo de "Porsche - Sim, mas na idade certa" consistiu em parquear o seu carrinho de bebé ao lado de um Porsche e anotar as diferenças todas. É uma tarefa tanto mais difícil quando os olhos da criança ainda não focam, o que realça a necessidade deste módulo, para saber identificar o seu carro quando estiver ébrio. Módulos seguintes incluem "Porsche amarelo - Só para jogadores da bola" e "Porsche vs Citröen Saxo GTI - Toda a verdade". Este módulo consiste em decorar e cantar num salão nobre a designar a música dos Clã "GTI"... desafiante para quem ainda só diz "Uaaaa, uaaaa..."! Ninguém disse que era suposto ser fácil.

Detalhanto o conteúdo do "Piropos - Iniciação à selvajaria", o estudante deve dominar a técnica do piropo, adequando-a à situação e tomando partido da sua condição, aliás, módulo mandatório para trabalhar nas obras. Assim, como exemplo, bebés até seis meses, devem usar piropos como "Olha para essas curvas, parecem um biberon da Chicco!", "Oh boneca, a tua blusa faz-me lembrar o esterilizador lá de casa, também dá para dois biberons!", o simples mas eficaz "Chuchava-te toda!" ou ainda "Adorava ser a tua fralda!". Bebés com um ano deverão usar antes "Ajuda-me a andar... nisso!" ou "Parece que tens fome! Queres um dente de leite?". Vamos ver se o tipo é bom estudante... como é sabido os piropos são a forma adequada de enfrentar os desafios da luxúria e descobrir os caminhos do amorrrrrrr... de pequenino é que se torce o pepino!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Oh filinhas..."

Com tantas mudanças em 2009, incluindo a apoteótica abertura do Hotel Cápsula e o florescer de um rebento, agora pertencente ao staff do Hotel Cápsula, é dificil eleger um momento do ano de 2009 como o mais marcante. Prefiro antes eleger o momento mais parvo, aquele que dada a natureza civilizada dos Japoneses os leva a fazer coisas verdadeiramente... parvas!É sobejamente conhecido o civismo dos Japoneses, único na Ásia, onde alguns povos comem cães, baratas, cospem à mesa e travam-se de razões usando os próprios punhos no Parlamento. Os Japoneses são portanto únicos na Ásia, talvez como os Húngaros na Europa, aliens! Ora um Japonês não fura filas, está inscrito no seu código genético fazer filas para tudo e mais alguma coisa, sempre, desde que que haja pelo menos outra pessoa à espera daquilo que este Japonês pretende. Fazem filas inclusivamente nas manifestações, algo a ensinar aos sindicalistas da CGTP e UGT.Eis assim o momento parvo de 2009, curto mas hilariante. Comutava na estação de Shinagawa para uma reunião quando um tipo a uma dezena de metros à minha frente pára para consultar o telemóvel. Este tipo é mais alto que a média dos Japoneses, o que pode explicar o que se passa de seguida. Um segundo Japonês, saído das inúmeras plataformas de comboios que param em Shinagawa, avança distraídamente na direcção do primeiro. Ao deparar-se com este parado à sua frente e voltado exactamente para onde se dirigia, faz o que qualquer Japonês faria, pára e inicia uma fila atrás do primeiro. Visto de longe, enquanto me aproximo desta parelha, está uma estação inteira em movimento, pessoas a entrar e sair das plataformas e estão dois tipos a fazer fila no meio da estação, o primeiro consulta o telemóvel, o segundo espera... não sabe de quê! O último, ao esperar pelo menos uns 20 segundos, tempo que demorei até chegar a ambos, começa a achar estranho uma fila naquele local e espreita para a frente do primeiro para ver o que se passa. Quando repara que o tipo só está a consultar o telemóvel, fica piurso e dá-me uma descompustura à moda dos samurais, apontando para os cantos da estação, aí sim, local para se parar e fazer estas coisas. Ainda se virou para trás e soltou um sonoro "Oh filinhas, vai brincar com o telemóvel para o raio que ta parta..."

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Nambar Uane

Há momentos na nossa vida que queremos chegar em primeio, fazer primeiro que todos os outros, ser o número um, em "amaricano", o nambar uane, ou em Japonês, o ichban. Por vezes por pirraça, outras por orgulho. Pode ser ainda por dar mais jeito, para ir acabar o jantar ou porque joga o Benfica. Mas há alturas que é por pura e simples teimosia.
Pois o nosso rebento decidiu ser o primeiro a nascer em 2010, isso mesmo, na noite da passagem de ano, quando toda a gente está embriagada, só para ser o número um, o bebé do ano. É indiscritível a quantidade de canalhices que advêm de nascer a 1 de Janeiro, para não falar do perigo de entrar em trabalho de parto quando toda equipa médica estava na farra. Podem-se listar algumas para referência futura:
- 15 anos sem nos livrarmos do tipo na passagem de ano e vermos os amigos embarcar para os locais mais exóticos cuja diversão é garantida;
- Uma vida inteira a não (conseguir) brindar com um bom vinho no aniversário do rapaz... Por nos termos desgraçado sozinhos na noite da passagem de ano, ou seja, por manifesta impossibilidade;
- Impossibilidade de juntar toda a família para um almoço de aniversário por... manifesta impossibilidade;
- Dar a machadada final no orçamento de Dezembro com uma prenda adicional no mês de todas as festas.
Depois há contradições como nascer no dia Mundial da Paz e não ter dado paz aos pais no dia em que nasceu.
A lista continua, nem é preciso puxar muito pela imaginação, mas há uma coisa que este sujeito conseguiu já no ano zero de vida, estragar a primeira passagem de ano dos pais, de mais três amigos, do médico, das enfermeiras e de todos os que ainda embriagados em Portugal tiveram de felicitar os pais depois do telefonema destes às 5h da manhã. Não dá para acreditar no sentido de timing do cachopo, pior que dizer a palavra "preto" ao pé de um grupo de chungosos no centro de Luanda, pontapear um cão a pilhas ao pé de um activista do Quercus, chamar maricas a um amigo que de facto é gay.

Mas a passagem de ano sempre nos pareceu parva, porque é que um gajo tem de celebrar um momento que ninguém sabe quem começou a contar e se de facto está a contar bem. É isso mesmo, não há mais celebração da passagem de ano, celebra-se agora a passagem do Miguel. Tem vantagem, em vez de celebrar 1 segundo, celebram-se 12 horas!
Considerações àparte, os pais como pais que são, estão orgulhosos do seu majestoso trabalho, uma boca sempre faminta e uns olhos curiosos que deixam antever muita parvoíce!
Ah, já me esquecia, Bom Ano Novo...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Que linda é a noiva... lai, lai, lai, lai..."

O casamento é em geral um contracto que por vezes não faz muito sentido, mas no Japão o casamento é acima de tudo um negócio, e um negócio excelente... excepto para os que se casam!
Começamos pelo fim, apresentando o que a meu ver é deprimente, acabando no que considero simplesmente aberrante. Na vida de um casal Japonês, são a mulher e a sogra que gerem a casa, a bem dizer, quem veste as calças. Isso não quer dizer que sejam elas a trabalhar, antes pelo contrário, eles trabalham e elas gastam a massa! Os tipos têm normalmente direito a uma semanada, que dá normalmente para os almoços da semana e, se forem poupadinhos, para um copo à Sexta-Feira. É recorrente, o dinheiro dos prémios anuais ser pago directamente ao empregado, e este ter uma conta bancária secreta onde guarda esse dinheiro para alguma eventualidade ou para uma extravagância... ou só para apanhar um táxi se perder o último comboio depois de mais um dia refugiado da mulher no escritório. Em suma, os tipos depois de casar, têm de pedir o dinheiro que ganham às mulheres para comprar uma camisa, ou uma gravata, enquanto as tipas calcorreiam a Omotesando em busca do último grito da Channel, Gucci, Yve Saint Lourent e marcas que tais. Uma coisa é certa, eles vêm onde está o dinheiro, elas ventem-no, quase literalmente!
Andando um pouco para trás, o casamento em si é outra anedota aos nossos olhos. Cada convidado têm obrigatóriamente de dar por volta de 30.000JPY em número de notas impáres novas, cerca de 250EUR, tendo igualmente de pagar a sua refeição ligeira, cerca de 10.000JPY, uns 80EUR por convidado. Se duas pessoas e um filho, forem ao casamento de um amigo, a coisa pode facilmente chegar aos 1000EUR, uma brindadeira de crianças. A cereja no topo do bolo é que os noivos não usam o dinheiro em seu proveito, para pagar a lua de mel ou ajudar ao pagamento das festa, que só por si é caríssima. Esse dinheiro é usado ao invés para comprar prendas aos convidados, isso mesmo, comprar prendas aos convidados. Normalmente em valor semelhante ao oferecido originalmente. Um convidado pode receber de volta uma travessa de louça rara, um par de copos de cristal ou um chá mega-mega, daqueles que só se cultivam nas zonas remotas do Japão e são apanhados por virgens em noites de lua nova, como se ainda as houvesse, as virgens. Nós até gostamos de chá, mas para os que o chá só faz ferrugem, dar um presente num casamento é pura e simplesmente queimar dinheiro. Bem, nem tudo é mau, a economia beneficía. Talvez seja a razão que tantos procuravam porque o Japão está em crise há várias décadas mas ainda não estoirou como muitos outros mui conhecidos países prósperos.
Por fim, há o que considero o requinte de malvadez. Para tipos que escolhem e religião pela proximidade do templo, não é estranho alguns casais casarem pela Igreja Católica, que também é moda diga-se. O que é brilhante é a roupinha que envergam. Os noivos vestem tudo, desde os fatos tradicionais, passando pelo mais branco dos fatos, com óculos a condizer, hastes e lentes brancas também, até ao mais vermelho dos fatos que envergonharia um benfiquista orgulhoso com o seu fato de treino Domingueiro a condizer com os sapatos de verniz pretos... ah, com a meíta turca das raquetes cruzadas. Mas as noivas aqui são geniais. A da fotografia dispensa grandes palavras, excepto "O meu coração só tem uma cor, azul e branco!", largado ao vento pela noiva azul e banca no discurso comemorativo, ao que os convidados respondem com um "Que linda é a noiva... lai, lai, lai, lai... Que linda é a noiva...". Ah g'anda noiva!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"All Blacks"

O eterno equilibrio da vida reflecte-se em coisas tão simples como o equilibrio emocional entre amigos. Quando as vidas de uns acalmam, a vida dos outros tem forçosamente de andar ao rubro. Foi o que aconteceu há umas semanas, a nossa vida fluía para o marasmo e a de um casal amigo disparou em emotividade, assim, de um momento para o outro.
Estavam eles em casa num fim-de-semana como tantos outros quando ouviram bater a porta de casa. Pensando que era a empregada não se preocuparam até ao momento que ela não se fez apresentar como de costume. Chamaram, sem resposta. Mau! Foram à procura dela pela casa, quais detectives Varatojo, e depararam com alguém fechado na casade banho. Bateram e alguém respondeu no que aparentava ser Japonês. Estava claro que alguém entrara em casa e, sorte das sortes, se instalara na sua casa de banho.
Tentam empurrar a porta para a abrir, deperando-se com resistência do outro lado, acompanhado de uma verborreia intelegível. Quando finalmente conseguem abrir a porta, deparam-se com um tipo enorme em cuecas no meio da casa de banho: "What the hell are you doing in our place? - perguntou o chefe de família, tendo como resposta um "This is my place! Where are my clothes?". Já o nosso amigo tinha ligadopara o "consierge" e aparecido o tipo da manutenção (maus entididos do Japão, ninguém percebe à primeira), enquanto a novela rolava. Após mais algumas trocas de palavras acesas, perceberam que o tipo era ex-jogador dos All Blacks, a selecção nacional de rugby da Nova Zelândia, todos eles pequeninos. Tinha-se embebedado com os outros "novilhos" na Nova Zelândia, que tinham um jogo amigável com o Japão no mesmo dia, e tinha ido parar ao prédio destes nossos amigos por haver lá uma menina da vida que dava farras até amanhecer! Ao que parece tinha saído da casa da tipa para se aliviar e tinha entrado ainda num estado altamente alcoolizado na casa de banho deles... uma história simples.
Quando finalmente o conseguiram deslocar de casa para o hall de entrada do prédio, já vestido com um robe e rodeado de dez polícias do CSI Tóquio, lá se apurou onde estavam as roupas do "rapazito", Quando a dita menina apareceu com as coisas, ele disse apenas "Oh, my pants!", sim porque a tipa já ele tinha visto montes de vezes! O nosso amigo, já mais calmo, mandou embora os polícias e o ex-jogador jogador apanhou um taxi para o hotel, esperando tenha entrado no quarto certo.
No final podemos dizer sempre como bons Portugueses que podia ter sido pior, podiam ter irrompido pela casa todos os "All Blacks", imaginem, "todos os pretos"...


sábado, 7 de novembro de 2009

"White List Tokyo"

Mais uma festa de aniversário, a última antes da hibernação!
Quem passar por Tóquio este Sábado, fica o convite... o Hulk'zinho vai fazer o show dele!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Oh coisinha fofa!"

Este post versa sobre os cães minúsculos que os Japoneses ostentam como se fossem jóias, my precious...
Se os cães pequenos irritam muita gente, os cães a pilhas irritam muito mais. A falta de espaço, denominador comum numa cidade como Tóquio, leva as pessoas a fazer algumas coisas muito parvas. Tratar no entanto cães ridiculamente pequenos como bébés, quando estes se assemelham mais a ratos, é passar dos limites. Não raras vezes se vêm pessoas a passear os cães em carrinhos de bébé, com touquinhas na cabeça e babygrow Prada não lhes vá dar o frio. Qualquer tipo impelido pelo instinto paternal que espreite distraídamente para dentro do carrinho, manda imediatamente um salto, libertando um: "Fónix, aquele bébé tem focinho!". Dito isto, a coisa piora e toma contornos de esquizofrenia colectiva.
No outro dia, perto de Aoyama, passei por uma pastelaria com um cheirinho que me fez salivar à primeira inalação. Estavam a sair bolos! Entrei e comecei o processo de escolha do bolo mais brutal, o maior e com aspecto mais doce; difícil, eram todos igualmente apetitosos! De repente vejo um casalinho entrar com um carrinho de bébé e atirar lá para dentro um bolinho tipo Donut com recheio vindo da montra, que o bébé recebeu com um "AU, AU, AU!", abanando a cauda. Era um chihuahua! Em pânico, olhei com atenção à volta e estremeci com o letreiro por cima da menina do balcão... "Dog Patisserie"... "huuuuuuh", e saí a correr, estava prestes a comer um biscoito de cão!
O que dizer então de empresas que organizam a vida social dos cachorros? Slogan: "Save the dog", brilhante! A aparente especialidade destas empresas é tratar das festinhas da socialite canina, o jet set do reino animal. Já estou a ver um cocktail com sujeitos peludos, de orelhas grandes e olhar superior. Um comenta "Já experimentou o ossinho de codorniz? Está divinal!", ao que a cadelinha responde "Com efeito, já escavei inclusivamente um buraquito ali ao pé da piscina com alguns para mais logo!"... (risos), "Sua cachorra!".
Depois das descrições anteriores, encontrar flores em forma de caniche ou semelhante é o mesmo que comparar o fogo de artifício de final de ano da Madeira com um foguete de feira, ou para os que andaram no Técnico e se lembram destas coisas, comparar o dito fogo com os foguetes do Carvalhosa... mítico!
Há no entanto episódios que nos surpreendem sempre, mesmo quando pensamos que já vimos tudo. Atentai à figura do motoqueiro, um macho viril, olhar de poucos amigos, barba por fazer e um intenso cheiro a... estrada! Toda esta figura de proeminente rebelde culmina no porte de uma malita ao ombro com um canito lá dentro, que nem sequer trabalha a pilhas convencionais, leva daquelas pilhas de relógio de pulso, das mais pequenas, tal não é o tamanho da criatura... ah, e a cereja no topo do bolo é o capacete pequenino Harley Davidson do cão, a condizer com o do dono, tal Yin e Yen, Bela e Monstro ou Modelo e Detective... medo, mas inseparáveis! Está claro, depois desta descrição, que eu adoro estes cãezinhos. Quando vejo um faço-lhes sempre "Oh coisinha fofa!"... toma!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sumo

Fomos ao Tokyo Kokugikan ver o famoso torneio de Sumo de Setembro. Para os fans de Sumo como eu, não é estranho venerar criaturas cujo maior atributo aparente é ser gordo, usar cuecas de fio dental tamanho XXXXXXXXL e armar confusão com os outros gordos que se lhes cruzam pelo caminho.
Também não é estranha para os fans toda a cerimónia da pancadaria. Desafiam-se como gatos ciosos com as suas cuecas preferidas, olhando-se, agachando-se, ganhando confiança com os vivas dos magricelas da audiência que os encorajam a sovar o outro gordo: "Dá-lhe, que esse gordo merece!"... "Tu não és gordo, és forte... dá-lheeeee!", e avançam destemidos contra a banha um do outro, agarrando-se, puxando-se e escorregando nos suores mútuos sem qualquer pudor. No final pretendem uma única coisa, que o outro gordo abandone o círculo de luta até que venha o próximo casalinho de gordos para dançar novamente a lambada.

Se falassem antes e durante o combate, imagino que o diálogo fosse algo do género:
- Oh gorda, estás toda boa (risos)... para não dizer o contrário!
- "So desu ne", ao menos não ando com cuecas com o número abaixo para parecer mais magra! Badalhoca! Oferecida! Vê-se o cú todo...
- Olha a ordinária! Deves pensar que são todas como tu!
- Vou-te arrancar esse piriquilho fatela que tens nessa cabeça de banha e ensinar-te boas maneiras, sua cabra! - responde movimentando-se com "agilidade" em direção ao pote do sal no canto do recinto de luta.
- Uuuuu - ouve-se com a investida.
- Eh pá, deslarga-me! Cheiras mal... bahh, tás toda suada, que nojo!
- Aaaaiii, larga-me as cuecas... porca!
- Eh pá, tu levas uma chapada... toma! Abanaste toda (risos), e ainda não paraste, pote de banha...
- Huuu... sai daqui!
- Aiiiiiiii...
E lá se precipita um deles para o chão. É assim que eles se divertem, os gorduchos do Japão... e nós aplaudimos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"By the book"

Se há uma coisa que se faz bem no Japão é cumprir regras, tudo é feito by the book. Excepção feita quando bebem uns copos, mas ainda assim, há regras que ditam as regras para beber copos.
As regras são portanto para cumprir, mesmo que não façam sentido nenhum. Vou reportar um caso marcante, o dos maquinistas do metro e comboio.

Estes digníssimos cidadãos, cujo trabalho nem sempre é valorizado como devia ser, além de levarem milhões aos seus destinos, coitados, também falam sozinhos durante toda a viagem, aparentemente dizendo que se certificaram a cada momento que tudo está a funcionar como deve ser. Manómetros, niveis, ar dos pneus (ok, não se aplica aos comboios) e espante-se, informando que vão... em frente, como se houvesse outra hipótese num veículo que circula sobre carris. Extraordinária capacidade de orientação, "Aqui neste bocadinho vou em frente!", excelente! Inovador seria "Neste troço de linha onde só posso seguir em frente, vou virar aqui à direita para comer uma bifana!". Mas todos fazem o mesmo, é inútil bater no vidro para os distrair, os tipos entram no modo de rotina e não param, é assim que ditam as regras. Não consigo imaginar 30 anos com um trabalho assim... nem um dia sequer!
Esta semana descobri no entanto algo de novo, um maquinista fêmea! Também informava periodicamente que ia seguir na única direcção possível, mas concentremo-nos no género do maquinista. Uma mulher que conduz um comboio com quinze carruagens, um considerável número de toneladas de aço com mais de um milhar de pessoas que se amontoam nas hora de ponta na Yamanote-sen, que é provavelmente a linha mais movimentada de Tóquio, tem de ser um "ganda macho". Em Portugal há mulheres taxistas, que são bastante machitas; mandam uns palavrões aos outros condutores e deixam crescer orgulhosamente a unha do dedo mindinho. Há também algumas condutoras de TIR; são altos machos, não usam cremes hidratantes, fazem o bigode com lânima, cospem no chão e ainda coçam o suposto tomatinho, ossos do ofício. Esta mocita do comboio nem imagino como será, um diabo à solta! Vejo-a fácilmente a abrir a janela da cabine e mandar piropos às gajas da plataforma "Oh boa! Fazia-te um vestidinho de cuspo...", dentro das regras, claro!

domingo, 4 de outubro de 2009

"Papá, tenho sono!"

Os Japoneses dormem à séria! Com esta frase forte começa um post que fala de sono, de descanso e de coisas parvas.
Há uma característica nos Japoneses que continua a intrigar os comuns mortais, aqueles que depois de acordar continuam... acordados! Toda a gente conhece o prazer de uma sesta, especialmente ao Domingo à tarde, quando toda a gente se encontra deprimida com o começo da semana que se avizinha. Os Espanhóis e afilhados hispânicos têm a siesta, os Japoneses têm simplesmente um botão para desligar. Aqueles que já desejaram desligar os putos, a ver se descansam um bocadinho, não estes, mas os pais, encontrariam no Japão a solução para todos os males. Infância, adolescência, maioridade e senioridade, todos à distancia de botão ON/OFF. Passo a explicar: em qualquer local, a qualquer hora, em qualquer posição, se há um minuto para dormir, "Bora lá!", imediatamente o pessoal fecha os olhos e já está... puff, desligado! No metro, numa sala de espera, no escritório, nos copos, deitado, de pé, literalmente de qualquer maneira.

Claro que esta feature opcional vem com um preço. Se por um lado o power nap retempera, um tipo que dorme nestas condições faz e só pode fazer figuras do pior. Entre as célebres cabeçadas, os chamados golos na pequena área, até à total perda de equilíbrio, vale tudo enquanto o corpo e a mente dormitam. No metro, encostar a cabecinha ao ombro do parceiro com dois metros, que também dorme é uma cena espectacular, tipo "Papá, tenho sono!"... "Anda cá! Agora deixa-me dormir também... chato pá!". Há alguns casos mais graves no entanto, quando a mistura de alcoól, cansaço e talvez, porque não, a vontade de "dar em cima da vizinha de banco" se juntam num cocktail explosivo. Ok, um gajo tombado pelo Deus Baco até pode ser divertido, mas quando os outros têm de se desviar da nossa rota... da nossa não, que eu não me meto nessas coisas, da rota deles, desses malandros que se metem nos copos, aí as coisas mudam de figura. Invadimos o espaço do vizinho, impondo de uma forma aparentemente inocente a nossa presença, tipo "Cu-cu!".
A coisa pode no entanto tomar proporções a atirar para o macabro. Dar com um tipo deitado no passeio de uma das ruas mais movimentadas de Tóquio, à noite, com óculos escuros, a segurar (ou segurado) a uma ficha eléctrica, bate aos pontos os prémios "priceless" Mastercard. Então vejamos:
- Fatinho Cali Klain: 19.000 Yenes
- Camisa Lã Costas: 11.000 Yenes
- Óculos Rai Banho: 10.000 Yenes
- 4 cervejas: 3.500 Yenes
- Dormir numa poça de mijo no passeio de uma rua de bares em Tóquio com óculos de Sol e um sorriso beatífico: PRICELESS!

Mas no meio de tantos milhões é possivel que haja pessoas que dormem normalmente, sem cabeçadas. Enfim, com esta converseta toda, já me está a dar o sono... ups... GOLO!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Oi?"

Há coisas que se passam na nossa vida que não passam de sonhos, nunca as vivemos, mas acreditamos que passámos por elas. Há outras no entanto que passam dos sonhos à realidade, e quando finalmente acontecem, despertamos do aparente estado vegatativo... "Oi?

Estavamos no ano da graça de 2009, a Terra era habitada por seres estranhos e em Portugal reinava o outrora jovem político Sócrates. Em Hiro-o, Tóquio, um rapaz fala distraídamente ao telefone quando é interpelado por uma jovem Japonesa, igual a tantas outras. O rapaz diz-lhe desviando a cara do telefone "I'm on the phone!", ela queda-se, imóvel, esperando impaciente pelo final do telefonema. O rapaz é estrangeiro, perfeitamente integrado no ambiente da vibrante Tóquio e estuda com curiosidade a rapariga sem que ela note. O fim do telefonema precipita-se e enquanto desliga o telefone repara no ar de pânico da jovem. "Do you need help?", pergunta-lhe. Esta responde "Are you in a MBA?"... Oi?
Acordei! O rapaz sou eu, mas... que raio de desbloqueador de conversa! Ainda espantado com a pergunta respondi:
- "Não, não ando! Porquê?"
- "Ah, ando à procura de uma amiga que anda num MBA, e eu estou na feira do MBA..."
Aqui já a minha cabeça vagueava. A rapariga era realmente Japonesa. Baixinha, excessivamente magra, a atirar para o feio, com ar de quem precisava de um Total Make Over, e continuava a inquirir-me sobre... MBAs?
- "Pois, não, lamento!", respondi.
- "E não tens um amigo que esteja num MBA?"
Estava a começar a ficar ligeiramente irritado com o teor da conversa...
- "Não, não conheço ninguém que ande num MBA. Não te posso ajudar, portanto..."
Ignorando a minha tentativa de saída de cena, continuou...
- "Deve ser difícil, mas vou perguntar à mesma: posso dormir contigo esta noite?"
... Oi? Que diacho se passou entretanto? O que é que eu perdi entre a converseta dos MBAs e este convite descarado de cama? Devo ter feito uma cara extraordinária, gostava de me ter visto, mas mantendo o ar das grandes ocasiões respondi:
- "Eh pá, não vai dar, sou casado e sinceramente acho que esta conversa não faz sentido nenhum!"
- "Ah, és casado... e não tens mesmo nenhum amigo que ande num MBA?"
... Oi? Voltámos à cena dos MBAs?
- "Não, não tenho amigo nenhum que ande num MBA. Olha..."
- "Trabalhas na Embaixada?"
... Oi? Mas que ligação é esta? Qual é o problema desta gaja? O contexto numa conversa é uma coisa que ela aparentemente não conhece, ou não pratica pelo menos. Já profundamente irritado, respondi-lhe:
- "Não, não trabalho na Embaixada, não ando nem conheço ninguém que ande num MBA. Olha, tenho de ir andando, boa sorte para o que quer que andas à procura, não te posso ajudar!"
- "Gostava tanto de passar a noite contigo!"
- "Ciao!", e virei-lhe as costas, "Fónix!".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"White List Tokyo"

Mais um aniversário em Tóquio, outra realidade, outra época. Revivemos experiências dentro de ciclos que se repetem sem nos darmos conta. Reciclar é a palavra do dia.
Para quem passar por Tóquio, a festa este Sábado é lá em casa. Fica o convite... o Canuco e o Hulk'zinho vão!

domingo, 30 de agosto de 2009

"Oh porco!"

Se nos concentrarmos no significado da palavra porco, pensamos não vir a ter dificuldade em encontrar uma plataforma de entendimento entre povos. Na práctica não é bem assim. É certo que o porco está longe de ser um animal doméstico de passear à trela, mas também é verdade que se trata de um bicho dono de uma inteligência superior à de muitos dos nossos políticos. Se nos focarmos no sentido pejurativo da palavra porco, especialmente nos povos latinos, porco é significado de sujo e de um conjunto de outras palavras que usamos para ofender o próximo, como badalhoco, javardolas, tinhoso, mal cheiroso, etc. É preciso dizer que nestes povos é usual comer-se tudo do porco, até os tomatinhos marcham!
No Japão é diferente, além de não acharem as partes podengas do animal uma iguaría, o porco é associado a uma criatura meiga, cor-de-rosa e limpinha, que nem o nome "buta" que se pronuncia "puta" em Japonês aparenta desvanecer. Estou mesmo a ver um Japonês apertar as bocheichas de um barrasco enorme, gordo, sujo e cheio de pelos, dos que só servem para cobrir porcas, e dizer: " Oohhhh putinha linda... kutchi, kutchi...". Visto de fora um tipo sente-se tentado a avisar "Oh amigo, isso é um porco!", mas já percebi que não vale a pena, cada um com os seus fetiches!

Esta "porcaria" dá origem a um sem número de idiotices, como é exemplo um porco com cabelo de pessoa que saúda os transeuntes à entrada da loja com um "Oink, oink, irasshaimase!" sonoro e alegre de boas vindas aos mais recentes saldos... é estúpido! Igualmente estranho para um latino cujo porco só serve para comer, é ver uma banda para colocar à cintura e reduzir os excessos da gula, com um porquinho rosado fofinho na capa. A minha interpretação da corajosa associação é "Usa isto para emagrecer oh porco gordo!". Depois há t-shirts com porcos modernos e estilosos estampados e uma série de outras peças e acessórios de vestuário que só fazem sentido para alguém que adicione ao boneco um statement do género "Eu como bué porco, e tu?" ou "Porco à grelha sff!".
Para terminar, custa-me pensar que a estadia no Japão me vai roubar algo de genuíno e quase inscrito no nosso código genético, que é ofender a torto e a direito com nomes de animais as pessoas que se cruzam conosco. Temo que os mui típicos "Oh urso!", "Oh camelo!", "Oh boi!", "Oh lagarto!" e o mais famoso "Oh porco!" seja naturalmente substituído por um "Oh puta!", com risco de ouvir de volta algo como "E depois? Também pago impostos!".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Canuco e o Hulk'zinho

Voltar ao Japão depois de duas semanas em Portugal faz-nos perceber que nem todos os países têm de ter crime organizado e criminosos no poder num caos generaliizado para as pessoas poderem continuar a "viver habitualmente", conforme defendia Salazar. O equivalente a toda a população portuguesa passa em determinadas estações de comboio em Tóquio, numa ordem quase chocante! Se fosse em Portugal, com a organização que nos é particular, o pessoal até se comia uns aos outros, e não estou a fazer alusões sexuais. Estes dez milhões não têm de levar o carro para todo o lado, até quase para ir à casa de banho como os nossos amigos Americanos, que só falta terem mictórios drive through, por aqui até o mais respeitável citadão, sócios-gerentes de empresas de sucesso andam de transportes públicos. Como estes cumprem os horários, quase ao segundo, podemos confiar neles para chegar no tempo mínimo a qualquer sítio, seja à empresa de manhã ou a um jantar com alguém ao final do dia, o que faz de Tóquio uma cidade de rotinas. Vamos começando assim a "conhecer" uma série de outras personagens que partilham conosco os mesmos horários, a mesma rotina, frequentando os mesmos comboios, à mesma hora, nas mesmas carruagens, todos os dias da semana. As mesmas caras, os mesmos gestos, "vivendo habitualmente".
Na minha rotina matinal estou a "conhecer" melhor dois personagens, de longe os mais marcantes...
O "Canuco da Toyoko Line", disputa comigo o mesmo lugar no comboio da Tokyu Toyoko-Line entre Nakameguro e Kikuna, que parte às 7h51. Este diabo de pequena estatura e eu, enorme para os standards do Japão, queremos ambos, entre muitos outros, sair em Kikuna o mais rápido possível para apanhar o comboio para Shin-Yokohama, uma ligação "muito à pele", o famoso "rés-vés Campo de Ourique", aqui parafraseado para a expressão Japonesa "rés-vés Kikuna". Desafiamo-nos com olhares cada vez que conseguimos o dito lugar, estou a ganhar 26-23, está renhido, mas o campeonato é longo, pode haver lesões ou contratações de Inverno... acho inclusivamente que o tipo comprou uns ténis novos para correr melhor para o nosso lugar "Nirvana"... tão pertinho da saída. Entretanto o tipo deve ter pensado que eu tinha mudado de lugar no comboio, não me viu durante as semanas de férias em Portugal, mas não deixou de partilhar comigo um esgar de ódio quando lhe "palmei" o lugar logo no primeiro dia, um gajo não pode facilitar! Li-lhe nos olhos um "Ahh, sacana!", que no Japão quer dizer WAhh, peixe!"... como o nosso fixe em Inglês... que consideração mais parva!
Depois há o "Hulk'zinho da Hibya Line". Tentem perceber no video o que ele está a fazer... e dou uma ajuda, não é a ler o jornal a que me refiro!

Pois, o "Hulk'zinho" faz todas as manhãs 15min de abdominais, para os dois lados não vá ficar assimétrico, na pontinha do banco, tudo isto na segunda carruagem da Hibya Line que chega a Nakameguro às 7h49. Sinistro no mínimo! Só uma dose cavalar de alheamento da realidade e uma total ausência de vergonha explicam este comportamento! Mas podia ser pior, imagino se decidisse... humm... assim... bom, adiante, isto não vai nos vai levar a lado nenhum. Mas uma coisa é verdade, o tipo manda um caparro! Por acaso até não, mas até podia mandar. Não é comum ver-se pessoal todo flácido com o six pack super desenvolvido. O "Hulk'zinho" é uma espécie de Super-Herói, com couraça tipo Batman mas com o músculo do bracito a cair para baixo... bahhh, que imagem, é melhor nem pensar nisso. É o que dá a rotina, um gajo fica maluco!Fica no entanto a promessa, na semana que vem vou dar um 5-0 ao "Canuco", ahhh leão!

domingo, 9 de agosto de 2009

Feliz Aniversário

O Japão é um país singular no que toca a cultura, com hábitos que vão para além dos nossos padrões, e valores como o respeito pelo próximo que não são comuns no Ocidente.
Mas o Japão é também um país com coisas muito parvas! Vamos levantar a ponta do véu e revelar um pouco do que se vê por cá nos mais variados sítios, em especial em Harajuku, entre Shibuya e Shinjuku, um circo vivo, tradução directa de living circus. Pode-se esperar tudo em Harajuku, tudo mesmo, mas no final a surpresa acaba sempre por superar a espectativa, é satisfação garantida. Foi aí que eu e a Alexandra decidimos passar o dia do nosso primeiro aniversário de casamento... apropriado!
Cada um em Harajuku é mais maluco que outro, dando largas à imaginação, não contrariando um elevado grau vontade de chocar... Ou só de expressão, é uma questão de semântica. Podia dissertar eternamente sobre cada uma das centenas de personagens que vimos, mas melhor que palavras, as imagens ilustram a "prenda" que demos a nós próprios neste dia.
A super-avozinha, versão MEDO!

Sim, é um tipo! Porque é que se veste assim... Pois, há coisas que é melhor nem saber. O que é que dá na cabeça de um gajo para se exibir assim em público? Estará à espera de algum reconhecimento especial? "Ya man, a tua panca é a maior... Yaaaa!". Entretanto havia mais uns quantos amigos deste rapaz que também envergavam roupas no mínimo... hummmm... estranhas! Tentámos misturar-nos com a populaça, mas a receptividade foi limitada, estavamos muito certinhos. Conhecemos melhor estes Samurais que lembram tempos ancestrais, versão MEDO!
Cruzámo-nos também com esta sujeita que parecia estar cheia de comichões, mais grave que uma simples pulga atrás da orelha, um caso grave de urticária... ou pior, pancada. Medicação recomendada: Pancadol MEDO, 10mg... a caixa de 60, claro.

Mas ficámos a pensar, "Já vimos isto algures...", de alguma forma não parecia novo. Foi preciso recuar ao ano de 1976, ano em que estavam nos escaparates tipos com cabelos de desentope chaminés com pruridos em fase adiantada e tipas que davam gritinhos fingidos de prazer. Descubram as diferenças:

Para terminar o dia em beleza ouve-se de repente no meio da multidão: "Ouve lá, esta não é a noiva cadáver?"... e demos de caras com a dita noiva cadáver, a mesma do concerto do "Fat Baixinho"! Surreal, numa cidade com dez milhões de habitantes, começam-se a repetir caras, é a aldeia global. Bem, não é propriamente o tipo de "pessoa" que queira passar despercebida!

Ups, está ao contrário, isto pega-se! Enfim, feliz aniversário...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mortinho por chegar a Tóquio

A lei de Murphy diz que quando alguma coisa pode correr mal, correrá mal de certeza.
Ora o nosso regresso a Tóquio com o galo Tonho, primo do Xico, foi seguido
pelo Demo com indisfarçada satisfação, isso mesmo, Satanás, Ele próprio! Começámos com problemas de bagagem no voo da Lufthansa operado pela TAP, em que uma mentecapta nos informou docilmente que os 40kg que o cartão Silver da Lufthansa dá direito, não serve para a TAP, como se o meu bilhete não fosse Lufthansa e a TAP não pertencesse à Star Alliance, e como se eu quisesse saber quem conduz o aparelho, até podia ser um code share com a Linhas Aérias do Menino Jesus, a LAMJ... absurdo! Em Portugal é ver quem rouba mais, "BPN? Nahh, eu roubo mais, esses são meninos, pfff! Para si são 750Eur de excesso de bagagem se faz favor... e é porque é para si!" Tivemos de recorrer a um amigo intemporal que nos ficou entre outras iguarias com 4kg de bacalhau especial asa branca e peso idêntico em vinho do bom e do melhor que nos preparávamos para apresentar à comunidade Japonesa. Quem perde é Portugal!

Já o Demo se igualmente ria do episódio, quando com um requinte de malvadez nos fez esperar 1h30 dentro do avião da TAP, imóvel na pista, por alegadamente estarem a carregar software num computador de navegação. Mas que gaita, se era uma actualização porque é que não fizeram isso antes? "Ah, é só carregar aqui uma actualizaçãozinha do Windows Vista, isto é rápido... só mais uma horinha ou duas!" Faz-me lembrar uma mensagem que me apareceu no outro dia quando transferia uns dados, como quem diz "Espera aí 46.320 dias e 19 horas!", porque não os minutos e os segundos também?

Lá partimos de Lisboa, mas mais se riu Lúcifer quando por via do atraso da TAP perdemos o voo para Tóquio em Frankfurt. Corremos a bom correr quais Obikuelos pálidos, e ainda vimos o avião na gate, mas só para lhe dizer adeus: "Ciao, boa viagem, depois liguem, thá?"... palhaços! Conseguimos um voo para o Japão por, imagine-se Amesterdão, e daí pela JAL para Tóquio, um voo que vai sair caríssimo à TAP! A incompetência a sair dos bolso dos contribuintes que indirectamente têm de pagar voos a todos aqueles que, como nós, perderam os voos de ligação. Mais uma vez quem perde é Portugal.
Chegámos por fim, mas mortos! Parafraseando "Os mortos na bebem!", imortal comentário da personagem alentejana Maria no filme "Mortinho por chegar a casa" de Carlos da Silva e George Sluizer, proponho para o guião desta espisódica intervenção de Belzebu a adaptação para "Os mortos na voam!"
Indiferentes a tudo isto, os primos Xicos e Tonho, felizes pela renião, contemplam da janela a cidade de Tóquio, chuvosa, e falam sobre banalidades... "Tens galado muito por estas bandas?"... "Ui, nem te passa! Tás a ver aquela lá em baixo?"... "Qual, a dos olhos em bico?"... (risos)... "Saíste-me cá um galinho da Índia!"... "Ai o meu canário"...