quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"By the book"

Se há uma coisa que se faz bem no Japão é cumprir regras, tudo é feito by the book. Excepção feita quando bebem uns copos, mas ainda assim, há regras que ditam as regras para beber copos.
As regras são portanto para cumprir, mesmo que não façam sentido nenhum. Vou reportar um caso marcante, o dos maquinistas do metro e comboio.

Estes digníssimos cidadãos, cujo trabalho nem sempre é valorizado como devia ser, além de levarem milhões aos seus destinos, coitados, também falam sozinhos durante toda a viagem, aparentemente dizendo que se certificaram a cada momento que tudo está a funcionar como deve ser. Manómetros, niveis, ar dos pneus (ok, não se aplica aos comboios) e espante-se, informando que vão... em frente, como se houvesse outra hipótese num veículo que circula sobre carris. Extraordinária capacidade de orientação, "Aqui neste bocadinho vou em frente!", excelente! Inovador seria "Neste troço de linha onde só posso seguir em frente, vou virar aqui à direita para comer uma bifana!". Mas todos fazem o mesmo, é inútil bater no vidro para os distrair, os tipos entram no modo de rotina e não param, é assim que ditam as regras. Não consigo imaginar 30 anos com um trabalho assim... nem um dia sequer!
Esta semana descobri no entanto algo de novo, um maquinista fêmea! Também informava periodicamente que ia seguir na única direcção possível, mas concentremo-nos no género do maquinista. Uma mulher que conduz um comboio com quinze carruagens, um considerável número de toneladas de aço com mais de um milhar de pessoas que se amontoam nas hora de ponta na Yamanote-sen, que é provavelmente a linha mais movimentada de Tóquio, tem de ser um "ganda macho". Em Portugal há mulheres taxistas, que são bastante machitas; mandam uns palavrões aos outros condutores e deixam crescer orgulhosamente a unha do dedo mindinho. Há também algumas condutoras de TIR; são altos machos, não usam cremes hidratantes, fazem o bigode com lânima, cospem no chão e ainda coçam o suposto tomatinho, ossos do ofício. Esta mocita do comboio nem imagino como será, um diabo à solta! Vejo-a fácilmente a abrir a janela da cabine e mandar piropos às gajas da plataforma "Oh boa! Fazia-te um vestidinho de cuspo...", dentro das regras, claro!

domingo, 4 de outubro de 2009

"Papá, tenho sono!"

Os Japoneses dormem à séria! Com esta frase forte começa um post que fala de sono, de descanso e de coisas parvas.
Há uma característica nos Japoneses que continua a intrigar os comuns mortais, aqueles que depois de acordar continuam... acordados! Toda a gente conhece o prazer de uma sesta, especialmente ao Domingo à tarde, quando toda a gente se encontra deprimida com o começo da semana que se avizinha. Os Espanhóis e afilhados hispânicos têm a siesta, os Japoneses têm simplesmente um botão para desligar. Aqueles que já desejaram desligar os putos, a ver se descansam um bocadinho, não estes, mas os pais, encontrariam no Japão a solução para todos os males. Infância, adolescência, maioridade e senioridade, todos à distancia de botão ON/OFF. Passo a explicar: em qualquer local, a qualquer hora, em qualquer posição, se há um minuto para dormir, "Bora lá!", imediatamente o pessoal fecha os olhos e já está... puff, desligado! No metro, numa sala de espera, no escritório, nos copos, deitado, de pé, literalmente de qualquer maneira.

Claro que esta feature opcional vem com um preço. Se por um lado o power nap retempera, um tipo que dorme nestas condições faz e só pode fazer figuras do pior. Entre as célebres cabeçadas, os chamados golos na pequena área, até à total perda de equilíbrio, vale tudo enquanto o corpo e a mente dormitam. No metro, encostar a cabecinha ao ombro do parceiro com dois metros, que também dorme é uma cena espectacular, tipo "Papá, tenho sono!"... "Anda cá! Agora deixa-me dormir também... chato pá!". Há alguns casos mais graves no entanto, quando a mistura de alcoól, cansaço e talvez, porque não, a vontade de "dar em cima da vizinha de banco" se juntam num cocktail explosivo. Ok, um gajo tombado pelo Deus Baco até pode ser divertido, mas quando os outros têm de se desviar da nossa rota... da nossa não, que eu não me meto nessas coisas, da rota deles, desses malandros que se metem nos copos, aí as coisas mudam de figura. Invadimos o espaço do vizinho, impondo de uma forma aparentemente inocente a nossa presença, tipo "Cu-cu!".
A coisa pode no entanto tomar proporções a atirar para o macabro. Dar com um tipo deitado no passeio de uma das ruas mais movimentadas de Tóquio, à noite, com óculos escuros, a segurar (ou segurado) a uma ficha eléctrica, bate aos pontos os prémios "priceless" Mastercard. Então vejamos:
- Fatinho Cali Klain: 19.000 Yenes
- Camisa Lã Costas: 11.000 Yenes
- Óculos Rai Banho: 10.000 Yenes
- 4 cervejas: 3.500 Yenes
- Dormir numa poça de mijo no passeio de uma rua de bares em Tóquio com óculos de Sol e um sorriso beatífico: PRICELESS!

Mas no meio de tantos milhões é possivel que haja pessoas que dormem normalmente, sem cabeçadas. Enfim, com esta converseta toda, já me está a dar o sono... ups... GOLO!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Oi?"

Há coisas que se passam na nossa vida que não passam de sonhos, nunca as vivemos, mas acreditamos que passámos por elas. Há outras no entanto que passam dos sonhos à realidade, e quando finalmente acontecem, despertamos do aparente estado vegatativo... "Oi?

Estavamos no ano da graça de 2009, a Terra era habitada por seres estranhos e em Portugal reinava o outrora jovem político Sócrates. Em Hiro-o, Tóquio, um rapaz fala distraídamente ao telefone quando é interpelado por uma jovem Japonesa, igual a tantas outras. O rapaz diz-lhe desviando a cara do telefone "I'm on the phone!", ela queda-se, imóvel, esperando impaciente pelo final do telefonema. O rapaz é estrangeiro, perfeitamente integrado no ambiente da vibrante Tóquio e estuda com curiosidade a rapariga sem que ela note. O fim do telefonema precipita-se e enquanto desliga o telefone repara no ar de pânico da jovem. "Do you need help?", pergunta-lhe. Esta responde "Are you in a MBA?"... Oi?
Acordei! O rapaz sou eu, mas... que raio de desbloqueador de conversa! Ainda espantado com a pergunta respondi:
- "Não, não ando! Porquê?"
- "Ah, ando à procura de uma amiga que anda num MBA, e eu estou na feira do MBA..."
Aqui já a minha cabeça vagueava. A rapariga era realmente Japonesa. Baixinha, excessivamente magra, a atirar para o feio, com ar de quem precisava de um Total Make Over, e continuava a inquirir-me sobre... MBAs?
- "Pois, não, lamento!", respondi.
- "E não tens um amigo que esteja num MBA?"
Estava a começar a ficar ligeiramente irritado com o teor da conversa...
- "Não, não conheço ninguém que ande num MBA. Não te posso ajudar, portanto..."
Ignorando a minha tentativa de saída de cena, continuou...
- "Deve ser difícil, mas vou perguntar à mesma: posso dormir contigo esta noite?"
... Oi? Que diacho se passou entretanto? O que é que eu perdi entre a converseta dos MBAs e este convite descarado de cama? Devo ter feito uma cara extraordinária, gostava de me ter visto, mas mantendo o ar das grandes ocasiões respondi:
- "Eh pá, não vai dar, sou casado e sinceramente acho que esta conversa não faz sentido nenhum!"
- "Ah, és casado... e não tens mesmo nenhum amigo que ande num MBA?"
... Oi? Voltámos à cena dos MBAs?
- "Não, não tenho amigo nenhum que ande num MBA. Olha..."
- "Trabalhas na Embaixada?"
... Oi? Mas que ligação é esta? Qual é o problema desta gaja? O contexto numa conversa é uma coisa que ela aparentemente não conhece, ou não pratica pelo menos. Já profundamente irritado, respondi-lhe:
- "Não, não trabalho na Embaixada, não ando nem conheço ninguém que ande num MBA. Olha, tenho de ir andando, boa sorte para o que quer que andas à procura, não te posso ajudar!"
- "Gostava tanto de passar a noite contigo!"
- "Ciao!", e virei-lhe as costas, "Fónix!".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"White List Tokyo"

Mais um aniversário em Tóquio, outra realidade, outra época. Revivemos experiências dentro de ciclos que se repetem sem nos darmos conta. Reciclar é a palavra do dia.
Para quem passar por Tóquio, a festa este Sábado é lá em casa. Fica o convite... o Canuco e o Hulk'zinho vão!

domingo, 30 de agosto de 2009

"Oh porco!"

Se nos concentrarmos no significado da palavra porco, pensamos não vir a ter dificuldade em encontrar uma plataforma de entendimento entre povos. Na práctica não é bem assim. É certo que o porco está longe de ser um animal doméstico de passear à trela, mas também é verdade que se trata de um bicho dono de uma inteligência superior à de muitos dos nossos políticos. Se nos focarmos no sentido pejurativo da palavra porco, especialmente nos povos latinos, porco é significado de sujo e de um conjunto de outras palavras que usamos para ofender o próximo, como badalhoco, javardolas, tinhoso, mal cheiroso, etc. É preciso dizer que nestes povos é usual comer-se tudo do porco, até os tomatinhos marcham!
No Japão é diferente, além de não acharem as partes podengas do animal uma iguaría, o porco é associado a uma criatura meiga, cor-de-rosa e limpinha, que nem o nome "buta" que se pronuncia "puta" em Japonês aparenta desvanecer. Estou mesmo a ver um Japonês apertar as bocheichas de um barrasco enorme, gordo, sujo e cheio de pelos, dos que só servem para cobrir porcas, e dizer: " Oohhhh putinha linda... kutchi, kutchi...". Visto de fora um tipo sente-se tentado a avisar "Oh amigo, isso é um porco!", mas já percebi que não vale a pena, cada um com os seus fetiches!

Esta "porcaria" dá origem a um sem número de idiotices, como é exemplo um porco com cabelo de pessoa que saúda os transeuntes à entrada da loja com um "Oink, oink, irasshaimase!" sonoro e alegre de boas vindas aos mais recentes saldos... é estúpido! Igualmente estranho para um latino cujo porco só serve para comer, é ver uma banda para colocar à cintura e reduzir os excessos da gula, com um porquinho rosado fofinho na capa. A minha interpretação da corajosa associação é "Usa isto para emagrecer oh porco gordo!". Depois há t-shirts com porcos modernos e estilosos estampados e uma série de outras peças e acessórios de vestuário que só fazem sentido para alguém que adicione ao boneco um statement do género "Eu como bué porco, e tu?" ou "Porco à grelha sff!".
Para terminar, custa-me pensar que a estadia no Japão me vai roubar algo de genuíno e quase inscrito no nosso código genético, que é ofender a torto e a direito com nomes de animais as pessoas que se cruzam conosco. Temo que os mui típicos "Oh urso!", "Oh camelo!", "Oh boi!", "Oh lagarto!" e o mais famoso "Oh porco!" seja naturalmente substituído por um "Oh puta!", com risco de ouvir de volta algo como "E depois? Também pago impostos!".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Canuco e o Hulk'zinho

Voltar ao Japão depois de duas semanas em Portugal faz-nos perceber que nem todos os países têm de ter crime organizado e criminosos no poder num caos generaliizado para as pessoas poderem continuar a "viver habitualmente", conforme defendia Salazar. O equivalente a toda a população portuguesa passa em determinadas estações de comboio em Tóquio, numa ordem quase chocante! Se fosse em Portugal, com a organização que nos é particular, o pessoal até se comia uns aos outros, e não estou a fazer alusões sexuais. Estes dez milhões não têm de levar o carro para todo o lado, até quase para ir à casa de banho como os nossos amigos Americanos, que só falta terem mictórios drive through, por aqui até o mais respeitável citadão, sócios-gerentes de empresas de sucesso andam de transportes públicos. Como estes cumprem os horários, quase ao segundo, podemos confiar neles para chegar no tempo mínimo a qualquer sítio, seja à empresa de manhã ou a um jantar com alguém ao final do dia, o que faz de Tóquio uma cidade de rotinas. Vamos começando assim a "conhecer" uma série de outras personagens que partilham conosco os mesmos horários, a mesma rotina, frequentando os mesmos comboios, à mesma hora, nas mesmas carruagens, todos os dias da semana. As mesmas caras, os mesmos gestos, "vivendo habitualmente".
Na minha rotina matinal estou a "conhecer" melhor dois personagens, de longe os mais marcantes...
O "Canuco da Toyoko Line", disputa comigo o mesmo lugar no comboio da Tokyu Toyoko-Line entre Nakameguro e Kikuna, que parte às 7h51. Este diabo de pequena estatura e eu, enorme para os standards do Japão, queremos ambos, entre muitos outros, sair em Kikuna o mais rápido possível para apanhar o comboio para Shin-Yokohama, uma ligação "muito à pele", o famoso "rés-vés Campo de Ourique", aqui parafraseado para a expressão Japonesa "rés-vés Kikuna". Desafiamo-nos com olhares cada vez que conseguimos o dito lugar, estou a ganhar 26-23, está renhido, mas o campeonato é longo, pode haver lesões ou contratações de Inverno... acho inclusivamente que o tipo comprou uns ténis novos para correr melhor para o nosso lugar "Nirvana"... tão pertinho da saída. Entretanto o tipo deve ter pensado que eu tinha mudado de lugar no comboio, não me viu durante as semanas de férias em Portugal, mas não deixou de partilhar comigo um esgar de ódio quando lhe "palmei" o lugar logo no primeiro dia, um gajo não pode facilitar! Li-lhe nos olhos um "Ahh, sacana!", que no Japão quer dizer WAhh, peixe!"... como o nosso fixe em Inglês... que consideração mais parva!
Depois há o "Hulk'zinho da Hibya Line". Tentem perceber no video o que ele está a fazer... e dou uma ajuda, não é a ler o jornal a que me refiro!

Pois, o "Hulk'zinho" faz todas as manhãs 15min de abdominais, para os dois lados não vá ficar assimétrico, na pontinha do banco, tudo isto na segunda carruagem da Hibya Line que chega a Nakameguro às 7h49. Sinistro no mínimo! Só uma dose cavalar de alheamento da realidade e uma total ausência de vergonha explicam este comportamento! Mas podia ser pior, imagino se decidisse... humm... assim... bom, adiante, isto não vai nos vai levar a lado nenhum. Mas uma coisa é verdade, o tipo manda um caparro! Por acaso até não, mas até podia mandar. Não é comum ver-se pessoal todo flácido com o six pack super desenvolvido. O "Hulk'zinho" é uma espécie de Super-Herói, com couraça tipo Batman mas com o músculo do bracito a cair para baixo... bahhh, que imagem, é melhor nem pensar nisso. É o que dá a rotina, um gajo fica maluco!Fica no entanto a promessa, na semana que vem vou dar um 5-0 ao "Canuco", ahhh leão!

domingo, 9 de agosto de 2009

Feliz Aniversário

O Japão é um país singular no que toca a cultura, com hábitos que vão para além dos nossos padrões, e valores como o respeito pelo próximo que não são comuns no Ocidente.
Mas o Japão é também um país com coisas muito parvas! Vamos levantar a ponta do véu e revelar um pouco do que se vê por cá nos mais variados sítios, em especial em Harajuku, entre Shibuya e Shinjuku, um circo vivo, tradução directa de living circus. Pode-se esperar tudo em Harajuku, tudo mesmo, mas no final a surpresa acaba sempre por superar a espectativa, é satisfação garantida. Foi aí que eu e a Alexandra decidimos passar o dia do nosso primeiro aniversário de casamento... apropriado!
Cada um em Harajuku é mais maluco que outro, dando largas à imaginação, não contrariando um elevado grau vontade de chocar... Ou só de expressão, é uma questão de semântica. Podia dissertar eternamente sobre cada uma das centenas de personagens que vimos, mas melhor que palavras, as imagens ilustram a "prenda" que demos a nós próprios neste dia.
A super-avozinha, versão MEDO!

Sim, é um tipo! Porque é que se veste assim... Pois, há coisas que é melhor nem saber. O que é que dá na cabeça de um gajo para se exibir assim em público? Estará à espera de algum reconhecimento especial? "Ya man, a tua panca é a maior... Yaaaa!". Entretanto havia mais uns quantos amigos deste rapaz que também envergavam roupas no mínimo... hummmm... estranhas! Tentámos misturar-nos com a populaça, mas a receptividade foi limitada, estavamos muito certinhos. Conhecemos melhor estes Samurais que lembram tempos ancestrais, versão MEDO!
Cruzámo-nos também com esta sujeita que parecia estar cheia de comichões, mais grave que uma simples pulga atrás da orelha, um caso grave de urticária... ou pior, pancada. Medicação recomendada: Pancadol MEDO, 10mg... a caixa de 60, claro.

Mas ficámos a pensar, "Já vimos isto algures...", de alguma forma não parecia novo. Foi preciso recuar ao ano de 1976, ano em que estavam nos escaparates tipos com cabelos de desentope chaminés com pruridos em fase adiantada e tipas que davam gritinhos fingidos de prazer. Descubram as diferenças:

Para terminar o dia em beleza ouve-se de repente no meio da multidão: "Ouve lá, esta não é a noiva cadáver?"... e demos de caras com a dita noiva cadáver, a mesma do concerto do "Fat Baixinho"! Surreal, numa cidade com dez milhões de habitantes, começam-se a repetir caras, é a aldeia global. Bem, não é propriamente o tipo de "pessoa" que queira passar despercebida!

Ups, está ao contrário, isto pega-se! Enfim, feliz aniversário...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mortinho por chegar a Tóquio

A lei de Murphy diz que quando alguma coisa pode correr mal, correrá mal de certeza.
Ora o nosso regresso a Tóquio com o galo Tonho, primo do Xico, foi seguido
pelo Demo com indisfarçada satisfação, isso mesmo, Satanás, Ele próprio! Começámos com problemas de bagagem no voo da Lufthansa operado pela TAP, em que uma mentecapta nos informou docilmente que os 40kg que o cartão Silver da Lufthansa dá direito, não serve para a TAP, como se o meu bilhete não fosse Lufthansa e a TAP não pertencesse à Star Alliance, e como se eu quisesse saber quem conduz o aparelho, até podia ser um code share com a Linhas Aérias do Menino Jesus, a LAMJ... absurdo! Em Portugal é ver quem rouba mais, "BPN? Nahh, eu roubo mais, esses são meninos, pfff! Para si são 750Eur de excesso de bagagem se faz favor... e é porque é para si!" Tivemos de recorrer a um amigo intemporal que nos ficou entre outras iguarias com 4kg de bacalhau especial asa branca e peso idêntico em vinho do bom e do melhor que nos preparávamos para apresentar à comunidade Japonesa. Quem perde é Portugal!

Já o Demo se igualmente ria do episódio, quando com um requinte de malvadez nos fez esperar 1h30 dentro do avião da TAP, imóvel na pista, por alegadamente estarem a carregar software num computador de navegação. Mas que gaita, se era uma actualização porque é que não fizeram isso antes? "Ah, é só carregar aqui uma actualizaçãozinha do Windows Vista, isto é rápido... só mais uma horinha ou duas!" Faz-me lembrar uma mensagem que me apareceu no outro dia quando transferia uns dados, como quem diz "Espera aí 46.320 dias e 19 horas!", porque não os minutos e os segundos também?

Lá partimos de Lisboa, mas mais se riu Lúcifer quando por via do atraso da TAP perdemos o voo para Tóquio em Frankfurt. Corremos a bom correr quais Obikuelos pálidos, e ainda vimos o avião na gate, mas só para lhe dizer adeus: "Ciao, boa viagem, depois liguem, thá?"... palhaços! Conseguimos um voo para o Japão por, imagine-se Amesterdão, e daí pela JAL para Tóquio, um voo que vai sair caríssimo à TAP! A incompetência a sair dos bolso dos contribuintes que indirectamente têm de pagar voos a todos aqueles que, como nós, perderam os voos de ligação. Mais uma vez quem perde é Portugal.
Chegámos por fim, mas mortos! Parafraseando "Os mortos na bebem!", imortal comentário da personagem alentejana Maria no filme "Mortinho por chegar a casa" de Carlos da Silva e George Sluizer, proponho para o guião desta espisódica intervenção de Belzebu a adaptação para "Os mortos na voam!"
Indiferentes a tudo isto, os primos Xicos e Tonho, felizes pela renião, contemplam da janela a cidade de Tóquio, chuvosa, e falam sobre banalidades... "Tens galado muito por estas bandas?"... "Ui, nem te passa! Tás a ver aquela lá em baixo?"... "Qual, a dos olhos em bico?"... (risos)... "Saíste-me cá um galinho da Índia!"... "Ai o meu canário"...

domingo, 5 de julho de 2009

Hotel Cápsula @ PT

O staff do Hotel Cápsula está durante as próximas duas semanas em Portugal a promover o mais recente hotel de Tóquio e a angariar novos hóspedes. Até breve...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"You must cur inside"

Toda a gente já passou mal na vida pelo menos uma vez por causa do calor. Há pessoas que, como eu, não temem o calor, mas os seus efeitos. O facto de ser caucasiano de raça pura, o mesmo é dizer que se é pálido como os mortos, torna a relação com o Sol numa espécie de amor/ódio, especialmente quando se introduz o factor humidade. Tóquio no Verão é uma cidade insuportável, não fora o grau de desenvolvimento, poderia ser confundida com Luanda. A rainny season estendende-se até ao final de Julho, com calor crescente. Para agravar as coisas, toda a gente espera que um consultor que se encontra com o cliente em reuniões de alto nível ande não só devidamente "enfatado" como também bem "engravatado". Isto é muito complicado para um tipo que nem ao próprio casamento foi de gravata! Antes de chegar a qualquer reunião já um tipo vai banhado em suor. Quando ainda por cima as instalações dos clientes estão três graus acima do normal para poupar energia mais um gajo pinga, vendo o cliente saltar alegremente de nenúfar em nenúfar porque está super confortável de manguinhas curtas, sem gravata e sem casaco... a ira sobe e a temperatura sobe mais ainda!

Esta semana, que nem foi das mais quentes ou das mais húmidas, comecei com uma reunião com os meus clientes favoritos. Tudo bem, até estava frescote quando saí casa, mas quando cheguei a Shiodome, percebi que tinha tomado um duche a caminho sem ter reparado. Praguejei algo como "GAITA!", mas com mais cabelos. Como damage control decidi entrar, já nas instalações do cliente, numa casa de banho para, pelo menos, limpar o suor. Desapertei as calças e a camisa, desviei a gravata e pluf, a toalhita que o pessoal cá usa para se limpar caiu na sanita... Irrecuperável! "GAITA!" - outra vez - "... Ao menos havia papel higiénico." Ensopei uns quantos punhados de papel, que se desfizeram a seu bel prazer no corpinho sub-nutrido de gaijin. Pelo menos tinha eliminado o excesso de "água". Quando encontrei os meus coleguinha Japoneses perguntaram-me com grande lata: "Pedoro-san, feeling hot?", e eu repondo "Man, this is crazy!", e os tipos "You must cur inside"... e eu "Sorry?"... e um deles com um sorriso beatífico "Cuuuur, you know? Cuuur!". Oi? Que raios é cur? Teriam eles uma receita milagrosa? Mas fez-se luz... "Ahhhh, cool inside! Cool inside o c@r#!ho, f#d@-s&!", nem engolindo um lingote de gelo... arrefecer por dentro... são mais parvos! Os gajos obviamente que não suam como eu, são uns esqueletos, que eu saiba os ossos não suam! Resignado, encaminei-me para o vigésimo quinto piso, e cheguei provavelmente à sala de reunião mais quente do Mundo! A partir daí suei as minhas maldades todas. À frente de alguém que estava perfeitamente confortável com o "calorzinho", ouvi-me implorar pelo fim da sauna e pensa "Deixa lá o serviço, isto para ti é de borla, desde que eu possa ir para um lugar fresco!". A coisa arrastou-se, com os silêncios do costume, pensam bué estes tipos, até cheguei a tentar o "cur inside", mas qualquer coisa que me viesse à cabeça só me aquecia mais. Eventualmente acabou o sofrimento, nem sei com o que concordei, as minha notas da reunião estavam tão ensopadas como eu, mas estavam lá os meus coleguinhas para salvar o dia!

O melhor estava no entanto guardado para o fim. Saquei a gravata a caminho do metro e reparei que, estava tão louco com o calor a limpar-me na casa de banho antes da reunião, que não tinha abotoado a camisa nem fechado a braguilha... Priceless, uma reunião inteira com fatinho e gravata, com o ar das grandes ocasiões, mas todo descascado! Bem me parecia que de vez em quando me vinha uma aragem ao... à... humm, pois, isso, aí!