terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Que linda é a noiva... lai, lai, lai, lai..."

O casamento é em geral um contracto que por vezes não faz muito sentido, mas no Japão o casamento é acima de tudo um negócio, e um negócio excelente... excepto para os que se casam!
Começamos pelo fim, apresentando o que a meu ver é deprimente, acabando no que considero simplesmente aberrante. Na vida de um casal Japonês, são a mulher e a sogra que gerem a casa, a bem dizer, quem veste as calças. Isso não quer dizer que sejam elas a trabalhar, antes pelo contrário, eles trabalham e elas gastam a massa! Os tipos têm normalmente direito a uma semanada, que dá normalmente para os almoços da semana e, se forem poupadinhos, para um copo à Sexta-Feira. É recorrente, o dinheiro dos prémios anuais ser pago directamente ao empregado, e este ter uma conta bancária secreta onde guarda esse dinheiro para alguma eventualidade ou para uma extravagância... ou só para apanhar um táxi se perder o último comboio depois de mais um dia refugiado da mulher no escritório. Em suma, os tipos depois de casar, têm de pedir o dinheiro que ganham às mulheres para comprar uma camisa, ou uma gravata, enquanto as tipas calcorreiam a Omotesando em busca do último grito da Channel, Gucci, Yve Saint Lourent e marcas que tais. Uma coisa é certa, eles vêm onde está o dinheiro, elas ventem-no, quase literalmente!
Andando um pouco para trás, o casamento em si é outra anedota aos nossos olhos. Cada convidado têm obrigatóriamente de dar por volta de 30.000JPY em número de notas impáres novas, cerca de 250EUR, tendo igualmente de pagar a sua refeição ligeira, cerca de 10.000JPY, uns 80EUR por convidado. Se duas pessoas e um filho, forem ao casamento de um amigo, a coisa pode facilmente chegar aos 1000EUR, uma brindadeira de crianças. A cereja no topo do bolo é que os noivos não usam o dinheiro em seu proveito, para pagar a lua de mel ou ajudar ao pagamento das festa, que só por si é caríssima. Esse dinheiro é usado ao invés para comprar prendas aos convidados, isso mesmo, comprar prendas aos convidados. Normalmente em valor semelhante ao oferecido originalmente. Um convidado pode receber de volta uma travessa de louça rara, um par de copos de cristal ou um chá mega-mega, daqueles que só se cultivam nas zonas remotas do Japão e são apanhados por virgens em noites de lua nova, como se ainda as houvesse, as virgens. Nós até gostamos de chá, mas para os que o chá só faz ferrugem, dar um presente num casamento é pura e simplesmente queimar dinheiro. Bem, nem tudo é mau, a economia beneficía. Talvez seja a razão que tantos procuravam porque o Japão está em crise há várias décadas mas ainda não estoirou como muitos outros mui conhecidos países prósperos.
Por fim, há o que considero o requinte de malvadez. Para tipos que escolhem e religião pela proximidade do templo, não é estranho alguns casais casarem pela Igreja Católica, que também é moda diga-se. O que é brilhante é a roupinha que envergam. Os noivos vestem tudo, desde os fatos tradicionais, passando pelo mais branco dos fatos, com óculos a condizer, hastes e lentes brancas também, até ao mais vermelho dos fatos que envergonharia um benfiquista orgulhoso com o seu fato de treino Domingueiro a condizer com os sapatos de verniz pretos... ah, com a meíta turca das raquetes cruzadas. Mas as noivas aqui são geniais. A da fotografia dispensa grandes palavras, excepto "O meu coração só tem uma cor, azul e branco!", largado ao vento pela noiva azul e banca no discurso comemorativo, ao que os convidados respondem com um "Que linda é a noiva... lai, lai, lai, lai... Que linda é a noiva...". Ah g'anda noiva!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"All Blacks"

O eterno equilibrio da vida reflecte-se em coisas tão simples como o equilibrio emocional entre amigos. Quando as vidas de uns acalmam, a vida dos outros tem forçosamente de andar ao rubro. Foi o que aconteceu há umas semanas, a nossa vida fluía para o marasmo e a de um casal amigo disparou em emotividade, assim, de um momento para o outro.
Estavam eles em casa num fim-de-semana como tantos outros quando ouviram bater a porta de casa. Pensando que era a empregada não se preocuparam até ao momento que ela não se fez apresentar como de costume. Chamaram, sem resposta. Mau! Foram à procura dela pela casa, quais detectives Varatojo, e depararam com alguém fechado na casade banho. Bateram e alguém respondeu no que aparentava ser Japonês. Estava claro que alguém entrara em casa e, sorte das sortes, se instalara na sua casa de banho.
Tentam empurrar a porta para a abrir, deperando-se com resistência do outro lado, acompanhado de uma verborreia intelegível. Quando finalmente conseguem abrir a porta, deparam-se com um tipo enorme em cuecas no meio da casa de banho: "What the hell are you doing in our place? - perguntou o chefe de família, tendo como resposta um "This is my place! Where are my clothes?". Já o nosso amigo tinha ligadopara o "consierge" e aparecido o tipo da manutenção (maus entididos do Japão, ninguém percebe à primeira), enquanto a novela rolava. Após mais algumas trocas de palavras acesas, perceberam que o tipo era ex-jogador dos All Blacks, a selecção nacional de rugby da Nova Zelândia, todos eles pequeninos. Tinha-se embebedado com os outros "novilhos" na Nova Zelândia, que tinham um jogo amigável com o Japão no mesmo dia, e tinha ido parar ao prédio destes nossos amigos por haver lá uma menina da vida que dava farras até amanhecer! Ao que parece tinha saído da casa da tipa para se aliviar e tinha entrado ainda num estado altamente alcoolizado na casa de banho deles... uma história simples.
Quando finalmente o conseguiram deslocar de casa para o hall de entrada do prédio, já vestido com um robe e rodeado de dez polícias do CSI Tóquio, lá se apurou onde estavam as roupas do "rapazito", Quando a dita menina apareceu com as coisas, ele disse apenas "Oh, my pants!", sim porque a tipa já ele tinha visto montes de vezes! O nosso amigo, já mais calmo, mandou embora os polícias e o ex-jogador jogador apanhou um taxi para o hotel, esperando tenha entrado no quarto certo.
No final podemos dizer sempre como bons Portugueses que podia ter sido pior, podiam ter irrompido pela casa todos os "All Blacks", imaginem, "todos os pretos"...


sábado, 7 de novembro de 2009

"White List Tokyo"

Mais uma festa de aniversário, a última antes da hibernação!
Quem passar por Tóquio este Sábado, fica o convite... o Hulk'zinho vai fazer o show dele!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Oh coisinha fofa!"

Este post versa sobre os cães minúsculos que os Japoneses ostentam como se fossem jóias, my precious...
Se os cães pequenos irritam muita gente, os cães a pilhas irritam muito mais. A falta de espaço, denominador comum numa cidade como Tóquio, leva as pessoas a fazer algumas coisas muito parvas. Tratar no entanto cães ridiculamente pequenos como bébés, quando estes se assemelham mais a ratos, é passar dos limites. Não raras vezes se vêm pessoas a passear os cães em carrinhos de bébé, com touquinhas na cabeça e babygrow Prada não lhes vá dar o frio. Qualquer tipo impelido pelo instinto paternal que espreite distraídamente para dentro do carrinho, manda imediatamente um salto, libertando um: "Fónix, aquele bébé tem focinho!". Dito isto, a coisa piora e toma contornos de esquizofrenia colectiva.
No outro dia, perto de Aoyama, passei por uma pastelaria com um cheirinho que me fez salivar à primeira inalação. Estavam a sair bolos! Entrei e comecei o processo de escolha do bolo mais brutal, o maior e com aspecto mais doce; difícil, eram todos igualmente apetitosos! De repente vejo um casalinho entrar com um carrinho de bébé e atirar lá para dentro um bolinho tipo Donut com recheio vindo da montra, que o bébé recebeu com um "AU, AU, AU!", abanando a cauda. Era um chihuahua! Em pânico, olhei com atenção à volta e estremeci com o letreiro por cima da menina do balcão... "Dog Patisserie"... "huuuuuuh", e saí a correr, estava prestes a comer um biscoito de cão!
O que dizer então de empresas que organizam a vida social dos cachorros? Slogan: "Save the dog", brilhante! A aparente especialidade destas empresas é tratar das festinhas da socialite canina, o jet set do reino animal. Já estou a ver um cocktail com sujeitos peludos, de orelhas grandes e olhar superior. Um comenta "Já experimentou o ossinho de codorniz? Está divinal!", ao que a cadelinha responde "Com efeito, já escavei inclusivamente um buraquito ali ao pé da piscina com alguns para mais logo!"... (risos), "Sua cachorra!".
Depois das descrições anteriores, encontrar flores em forma de caniche ou semelhante é o mesmo que comparar o fogo de artifício de final de ano da Madeira com um foguete de feira, ou para os que andaram no Técnico e se lembram destas coisas, comparar o dito fogo com os foguetes do Carvalhosa... mítico!
Há no entanto episódios que nos surpreendem sempre, mesmo quando pensamos que já vimos tudo. Atentai à figura do motoqueiro, um macho viril, olhar de poucos amigos, barba por fazer e um intenso cheiro a... estrada! Toda esta figura de proeminente rebelde culmina no porte de uma malita ao ombro com um canito lá dentro, que nem sequer trabalha a pilhas convencionais, leva daquelas pilhas de relógio de pulso, das mais pequenas, tal não é o tamanho da criatura... ah, e a cereja no topo do bolo é o capacete pequenino Harley Davidson do cão, a condizer com o do dono, tal Yin e Yen, Bela e Monstro ou Modelo e Detective... medo, mas inseparáveis! Está claro, depois desta descrição, que eu adoro estes cãezinhos. Quando vejo um faço-lhes sempre "Oh coisinha fofa!"... toma!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sumo

Fomos ao Tokyo Kokugikan ver o famoso torneio de Sumo de Setembro. Para os fans de Sumo como eu, não é estranho venerar criaturas cujo maior atributo aparente é ser gordo, usar cuecas de fio dental tamanho XXXXXXXXL e armar confusão com os outros gordos que se lhes cruzam pelo caminho.
Também não é estranha para os fans toda a cerimónia da pancadaria. Desafiam-se como gatos ciosos com as suas cuecas preferidas, olhando-se, agachando-se, ganhando confiança com os vivas dos magricelas da audiência que os encorajam a sovar o outro gordo: "Dá-lhe, que esse gordo merece!"... "Tu não és gordo, és forte... dá-lheeeee!", e avançam destemidos contra a banha um do outro, agarrando-se, puxando-se e escorregando nos suores mútuos sem qualquer pudor. No final pretendem uma única coisa, que o outro gordo abandone o círculo de luta até que venha o próximo casalinho de gordos para dançar novamente a lambada.

Se falassem antes e durante o combate, imagino que o diálogo fosse algo do género:
- Oh gorda, estás toda boa (risos)... para não dizer o contrário!
- "So desu ne", ao menos não ando com cuecas com o número abaixo para parecer mais magra! Badalhoca! Oferecida! Vê-se o cú todo...
- Olha a ordinária! Deves pensar que são todas como tu!
- Vou-te arrancar esse piriquilho fatela que tens nessa cabeça de banha e ensinar-te boas maneiras, sua cabra! - responde movimentando-se com "agilidade" em direção ao pote do sal no canto do recinto de luta.
- Uuuuu - ouve-se com a investida.
- Eh pá, deslarga-me! Cheiras mal... bahh, tás toda suada, que nojo!
- Aaaaiii, larga-me as cuecas... porca!
- Eh pá, tu levas uma chapada... toma! Abanaste toda (risos), e ainda não paraste, pote de banha...
- Huuu... sai daqui!
- Aiiiiiiii...
E lá se precipita um deles para o chão. É assim que eles se divertem, os gorduchos do Japão... e nós aplaudimos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"By the book"

Se há uma coisa que se faz bem no Japão é cumprir regras, tudo é feito by the book. Excepção feita quando bebem uns copos, mas ainda assim, há regras que ditam as regras para beber copos.
As regras são portanto para cumprir, mesmo que não façam sentido nenhum. Vou reportar um caso marcante, o dos maquinistas do metro e comboio.

Estes digníssimos cidadãos, cujo trabalho nem sempre é valorizado como devia ser, além de levarem milhões aos seus destinos, coitados, também falam sozinhos durante toda a viagem, aparentemente dizendo que se certificaram a cada momento que tudo está a funcionar como deve ser. Manómetros, niveis, ar dos pneus (ok, não se aplica aos comboios) e espante-se, informando que vão... em frente, como se houvesse outra hipótese num veículo que circula sobre carris. Extraordinária capacidade de orientação, "Aqui neste bocadinho vou em frente!", excelente! Inovador seria "Neste troço de linha onde só posso seguir em frente, vou virar aqui à direita para comer uma bifana!". Mas todos fazem o mesmo, é inútil bater no vidro para os distrair, os tipos entram no modo de rotina e não param, é assim que ditam as regras. Não consigo imaginar 30 anos com um trabalho assim... nem um dia sequer!
Esta semana descobri no entanto algo de novo, um maquinista fêmea! Também informava periodicamente que ia seguir na única direcção possível, mas concentremo-nos no género do maquinista. Uma mulher que conduz um comboio com quinze carruagens, um considerável número de toneladas de aço com mais de um milhar de pessoas que se amontoam nas hora de ponta na Yamanote-sen, que é provavelmente a linha mais movimentada de Tóquio, tem de ser um "ganda macho". Em Portugal há mulheres taxistas, que são bastante machitas; mandam uns palavrões aos outros condutores e deixam crescer orgulhosamente a unha do dedo mindinho. Há também algumas condutoras de TIR; são altos machos, não usam cremes hidratantes, fazem o bigode com lânima, cospem no chão e ainda coçam o suposto tomatinho, ossos do ofício. Esta mocita do comboio nem imagino como será, um diabo à solta! Vejo-a fácilmente a abrir a janela da cabine e mandar piropos às gajas da plataforma "Oh boa! Fazia-te um vestidinho de cuspo...", dentro das regras, claro!

domingo, 4 de outubro de 2009

"Papá, tenho sono!"

Os Japoneses dormem à séria! Com esta frase forte começa um post que fala de sono, de descanso e de coisas parvas.
Há uma característica nos Japoneses que continua a intrigar os comuns mortais, aqueles que depois de acordar continuam... acordados! Toda a gente conhece o prazer de uma sesta, especialmente ao Domingo à tarde, quando toda a gente se encontra deprimida com o começo da semana que se avizinha. Os Espanhóis e afilhados hispânicos têm a siesta, os Japoneses têm simplesmente um botão para desligar. Aqueles que já desejaram desligar os putos, a ver se descansam um bocadinho, não estes, mas os pais, encontrariam no Japão a solução para todos os males. Infância, adolescência, maioridade e senioridade, todos à distancia de botão ON/OFF. Passo a explicar: em qualquer local, a qualquer hora, em qualquer posição, se há um minuto para dormir, "Bora lá!", imediatamente o pessoal fecha os olhos e já está... puff, desligado! No metro, numa sala de espera, no escritório, nos copos, deitado, de pé, literalmente de qualquer maneira.

Claro que esta feature opcional vem com um preço. Se por um lado o power nap retempera, um tipo que dorme nestas condições faz e só pode fazer figuras do pior. Entre as célebres cabeçadas, os chamados golos na pequena área, até à total perda de equilíbrio, vale tudo enquanto o corpo e a mente dormitam. No metro, encostar a cabecinha ao ombro do parceiro com dois metros, que também dorme é uma cena espectacular, tipo "Papá, tenho sono!"... "Anda cá! Agora deixa-me dormir também... chato pá!". Há alguns casos mais graves no entanto, quando a mistura de alcoól, cansaço e talvez, porque não, a vontade de "dar em cima da vizinha de banco" se juntam num cocktail explosivo. Ok, um gajo tombado pelo Deus Baco até pode ser divertido, mas quando os outros têm de se desviar da nossa rota... da nossa não, que eu não me meto nessas coisas, da rota deles, desses malandros que se metem nos copos, aí as coisas mudam de figura. Invadimos o espaço do vizinho, impondo de uma forma aparentemente inocente a nossa presença, tipo "Cu-cu!".
A coisa pode no entanto tomar proporções a atirar para o macabro. Dar com um tipo deitado no passeio de uma das ruas mais movimentadas de Tóquio, à noite, com óculos escuros, a segurar (ou segurado) a uma ficha eléctrica, bate aos pontos os prémios "priceless" Mastercard. Então vejamos:
- Fatinho Cali Klain: 19.000 Yenes
- Camisa Lã Costas: 11.000 Yenes
- Óculos Rai Banho: 10.000 Yenes
- 4 cervejas: 3.500 Yenes
- Dormir numa poça de mijo no passeio de uma rua de bares em Tóquio com óculos de Sol e um sorriso beatífico: PRICELESS!

Mas no meio de tantos milhões é possivel que haja pessoas que dormem normalmente, sem cabeçadas. Enfim, com esta converseta toda, já me está a dar o sono... ups... GOLO!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Oi?"

Há coisas que se passam na nossa vida que não passam de sonhos, nunca as vivemos, mas acreditamos que passámos por elas. Há outras no entanto que passam dos sonhos à realidade, e quando finalmente acontecem, despertamos do aparente estado vegatativo... "Oi?

Estavamos no ano da graça de 2009, a Terra era habitada por seres estranhos e em Portugal reinava o outrora jovem político Sócrates. Em Hiro-o, Tóquio, um rapaz fala distraídamente ao telefone quando é interpelado por uma jovem Japonesa, igual a tantas outras. O rapaz diz-lhe desviando a cara do telefone "I'm on the phone!", ela queda-se, imóvel, esperando impaciente pelo final do telefonema. O rapaz é estrangeiro, perfeitamente integrado no ambiente da vibrante Tóquio e estuda com curiosidade a rapariga sem que ela note. O fim do telefonema precipita-se e enquanto desliga o telefone repara no ar de pânico da jovem. "Do you need help?", pergunta-lhe. Esta responde "Are you in a MBA?"... Oi?
Acordei! O rapaz sou eu, mas... que raio de desbloqueador de conversa! Ainda espantado com a pergunta respondi:
- "Não, não ando! Porquê?"
- "Ah, ando à procura de uma amiga que anda num MBA, e eu estou na feira do MBA..."
Aqui já a minha cabeça vagueava. A rapariga era realmente Japonesa. Baixinha, excessivamente magra, a atirar para o feio, com ar de quem precisava de um Total Make Over, e continuava a inquirir-me sobre... MBAs?
- "Pois, não, lamento!", respondi.
- "E não tens um amigo que esteja num MBA?"
Estava a começar a ficar ligeiramente irritado com o teor da conversa...
- "Não, não conheço ninguém que ande num MBA. Não te posso ajudar, portanto..."
Ignorando a minha tentativa de saída de cena, continuou...
- "Deve ser difícil, mas vou perguntar à mesma: posso dormir contigo esta noite?"
... Oi? Que diacho se passou entretanto? O que é que eu perdi entre a converseta dos MBAs e este convite descarado de cama? Devo ter feito uma cara extraordinária, gostava de me ter visto, mas mantendo o ar das grandes ocasiões respondi:
- "Eh pá, não vai dar, sou casado e sinceramente acho que esta conversa não faz sentido nenhum!"
- "Ah, és casado... e não tens mesmo nenhum amigo que ande num MBA?"
... Oi? Voltámos à cena dos MBAs?
- "Não, não tenho amigo nenhum que ande num MBA. Olha..."
- "Trabalhas na Embaixada?"
... Oi? Mas que ligação é esta? Qual é o problema desta gaja? O contexto numa conversa é uma coisa que ela aparentemente não conhece, ou não pratica pelo menos. Já profundamente irritado, respondi-lhe:
- "Não, não trabalho na Embaixada, não ando nem conheço ninguém que ande num MBA. Olha, tenho de ir andando, boa sorte para o que quer que andas à procura, não te posso ajudar!"
- "Gostava tanto de passar a noite contigo!"
- "Ciao!", e virei-lhe as costas, "Fónix!".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

"White List Tokyo"

Mais um aniversário em Tóquio, outra realidade, outra época. Revivemos experiências dentro de ciclos que se repetem sem nos darmos conta. Reciclar é a palavra do dia.
Para quem passar por Tóquio, a festa este Sábado é lá em casa. Fica o convite... o Canuco e o Hulk'zinho vão!

domingo, 30 de agosto de 2009

"Oh porco!"

Se nos concentrarmos no significado da palavra porco, pensamos não vir a ter dificuldade em encontrar uma plataforma de entendimento entre povos. Na práctica não é bem assim. É certo que o porco está longe de ser um animal doméstico de passear à trela, mas também é verdade que se trata de um bicho dono de uma inteligência superior à de muitos dos nossos políticos. Se nos focarmos no sentido pejurativo da palavra porco, especialmente nos povos latinos, porco é significado de sujo e de um conjunto de outras palavras que usamos para ofender o próximo, como badalhoco, javardolas, tinhoso, mal cheiroso, etc. É preciso dizer que nestes povos é usual comer-se tudo do porco, até os tomatinhos marcham!
No Japão é diferente, além de não acharem as partes podengas do animal uma iguaría, o porco é associado a uma criatura meiga, cor-de-rosa e limpinha, que nem o nome "buta" que se pronuncia "puta" em Japonês aparenta desvanecer. Estou mesmo a ver um Japonês apertar as bocheichas de um barrasco enorme, gordo, sujo e cheio de pelos, dos que só servem para cobrir porcas, e dizer: " Oohhhh putinha linda... kutchi, kutchi...". Visto de fora um tipo sente-se tentado a avisar "Oh amigo, isso é um porco!", mas já percebi que não vale a pena, cada um com os seus fetiches!

Esta "porcaria" dá origem a um sem número de idiotices, como é exemplo um porco com cabelo de pessoa que saúda os transeuntes à entrada da loja com um "Oink, oink, irasshaimase!" sonoro e alegre de boas vindas aos mais recentes saldos... é estúpido! Igualmente estranho para um latino cujo porco só serve para comer, é ver uma banda para colocar à cintura e reduzir os excessos da gula, com um porquinho rosado fofinho na capa. A minha interpretação da corajosa associação é "Usa isto para emagrecer oh porco gordo!". Depois há t-shirts com porcos modernos e estilosos estampados e uma série de outras peças e acessórios de vestuário que só fazem sentido para alguém que adicione ao boneco um statement do género "Eu como bué porco, e tu?" ou "Porco à grelha sff!".
Para terminar, custa-me pensar que a estadia no Japão me vai roubar algo de genuíno e quase inscrito no nosso código genético, que é ofender a torto e a direito com nomes de animais as pessoas que se cruzam conosco. Temo que os mui típicos "Oh urso!", "Oh camelo!", "Oh boi!", "Oh lagarto!" e o mais famoso "Oh porco!" seja naturalmente substituído por um "Oh puta!", com risco de ouvir de volta algo como "E depois? Também pago impostos!".