O casamento é em geral um contracto que por vezes não faz muito sentido, mas no Japão o casamento é acima de tudo um negócio, e um negócio excelente... excepto para os que se casam!Começamos pelo fim, apresentando o que a meu ver é deprimente, acabando no que considero simplesmente aberrante. Na vida de um casal Japonês, são a mulher e a sogra que gerem a casa, a bem dizer, quem veste as calças. Isso não quer dizer que sejam elas a trabalhar, antes pelo contrário, eles trabalham e elas gastam a massa! Os tipos têm normalmente direito a uma semanada, que dá normalmente para os almoços da semana e, se forem poupadinhos, para um copo à Sexta-Feira. É recorrente, o dinheiro dos prémios anuais ser pago directamente ao empregado, e este ter uma conta bancária secreta onde guarda esse dinheiro para alguma eventualidade ou para uma extravagância... ou só para apanhar um táxi se perder o último comboio depois de mais um dia refugiado da mulher no escritório. Em suma, os tipos depois de casar, têm de pedir o dinheiro que ganham às mulheres para comprar uma camisa, ou uma gravata, enquanto as tipas calcorreiam a Omotesando em busca do último grito da Channel, Gucci, Yve Saint Lourent e marcas que tais. Uma coisa é certa, eles vêm onde está o dinheiro, elas ventem-no, quase literalmente!

Andando um pouco para trás, o casamento em si é outra anedota aos nossos olhos. Cada convidado têm obrigatóriamente de dar por volta de 30.000JPY em número de notas impáres novas, cerca de 250EUR, tendo igualmente de pagar a sua refeição ligeira, cerca de 10.000JPY, uns 80EUR por convidado. Se duas pessoas e um filho, forem ao casamento de um amigo, a coisa pode facilmente chegar aos 1000EUR, uma brindadeira de crianças. A cereja no topo do bolo é que os noivos não usam o dinheiro em seu proveito, para pagar a lua de mel ou ajudar ao pagamento das festa, que só por si é caríssima. Esse dinheiro é usado ao invés para comprar prendas aos convidados, isso mesmo, comprar prendas aos convidados. Normalmente em valor semelhante ao oferecido originalmente. Um convidado pode receber de volta uma travessa de louça rara, um par de copos de cristal ou um chá mega-mega, daqueles que só se cultivam nas zonas remotas do Japão e são apanhados por virgens em noites de lua nova, como se ainda as houvesse, as virgens. Nós até gostamos de chá, mas para os que o chá só faz ferrugem, dar um presente num casamento é pura e simplesmente queimar dinheiro. Bem, nem tudo é mau, a economia beneficía. Talvez seja a razão que tantos procuravam porque o Japão está em crise há várias décadas mas ainda não estoirou como muitos outros mui conhecidos países prósperos.
Por fim, há o que considero o requinte de malvadez. Para tipos que escolhem e religião pela proximidade do templo, não é estranho alguns casais casarem pela Igreja Católica, que também é moda diga-se. O que é brilhante é a roupinha que envergam. Os noivos vestem tudo, desde os fatos tradicionais, passando pelo mais branco dos fatos, com óculos a condizer, hastes e lentes brancas também, até ao mais vermelho dos fatos que envergonharia um benfiquista orgulhoso com o seu fato de treino Domingueiro a condizer com os sapatos de verniz pretos... ah, com a meíta turca das raquetes cruzadas. Mas as noivas aqui são geniais. A da fotografia dispensa grandes palavras, excepto "O meu coração só tem uma cor, azul e branco!", largado ao vento pela noiva azul e banca no discurso comemorativo, ao que os convidados respondem com um "Que linda é a noiva... lai, lai, lai, lai... Que linda é a noiva...". Ah g'anda noiva!


O que dizer então de empresas que organizam a vida social dos cachorros? Slogan: "Save the dog", brilhante! A aparente especialidade destas empresas é tratar das festinhas da socialite canina, o jet set do reino animal. Já estou a ver um cocktail com sujeitos peludos, de orelhas grandes e olhar superior. Um comenta "Já experimentou o ossinho de codorniz? Está divinal!", ao que a cadelinha responde "Com efeito, já escavei inclusivamente um buraquito ali ao pé da piscina com alguns para mais logo!"... (risos), "Sua cachorra!".
Está claro, depois desta descrição, que eu adoro estes cãezinhos. Quando vejo um faço-lhes sempre "Oh coisinha fofa!"... toma!


Estavamos no ano da graça de 2009, a Terra era habitada por seres estranhos e em Portugal reinava o outrora jovem político Sócrates. Em Hiro-o, Tóquio, um rapaz fala distraídamente ao telefone quando é interpelado por uma jovem Japonesa, igual a tantas outras. O rapaz diz-lhe desviando a cara do telefone "I'm on the phone!", ela queda-se, imóvel, esperando impaciente pelo final do telefonema. O rapaz é estrangeiro, perfeitamente integrado no ambiente da vibrante Tóquio e estuda com curiosidade a rapariga sem que ela note. O fim do telefonema precipita-se e enquanto desliga o telefone repara no ar de pânico da jovem. "Do you need help?", pergunta-lhe. Esta responde "Are you in a MBA?"... Oi?











Considerações àparte, se preterimos de um andar no topo do
Outra "noiva cadáver"... tantas!
"O menino Tonecas"...
"A Minie"...
... e o gajo mais sinistro do dia, a personificação do emblemático Nakata que falava com os gatos no romance do escritor Japonês Haruki Murakami, "Kafka à beira mar"... o cabelo? Cera? Graxa? Cocó? Não sabemos, não perguntem... MEDOOOOOOO!
Mas o som estava fixe e, os Japoneses, para tipos certinhos, dão-lhe muito na pastilha e na coca, "LOUCURAAAA... LOUCURA CONTROLADAAAA!"



Não o da foto acima, vejam mais abaixo! :) É o nosso primeiro bom negócio no Japão, espero que de muitos. Não é no último andar, ficamos a cerca de um terço da torre Atago Green Hills Forest Tower com 42 andares, um dos muitos arranha céus Mori Buildings. No topo temos um ginásio, uma piscina, um SPA e um bar, tudo com uma vista de Tóquio absurda, viva o luxo!



